Orçamento de Estado para 2019
A proposta do Orçamento do Estado para 2019 (OE 2019) aumenta a tributação autónoma em sede de IRC sobre os encargos relacionados com viaturas ligeiras de passageiros e motociclos usados pelas empresas.

O aumento surge em dois escalões, mas é, sobretudo no inferior, para veículos com um PVP até 25 mil euros, que a subida é maior, passando de 10% para 15%. Também nas viaturas com preço superior a 35 mil euros há um aumento, passando, de acordo com a proposta a ser alvo de uma taxa de 37,5% (35% antes).
A alteração ao número 3 do artigo 88 do código do IRC constante na proposta de OE 2019 mantém os restantes escalões iguais aos que estão em vigor no presente (ver quadro). Destaque para a isenção dos modelos 100% elétricos e de 5% a 17,5% nos híbridos plug-in.
 
“Fatura” de mais 500 euros
 
A tributação autónoma é um encargo pesado para as empresas porque incide não só sobre o preço base, ISV e IVA, mas também sobre todas as despesas de utilização. Entre estas estão, além da eventual amortização da viatura, combustível, portagens, pneus, reparações, seguros, etc., traduzindo-se num custo significativo. As despesas anuais de uma única viatura podem atingir cerca de dez mil euros, o que, mesmo no escalão mais baixo (o de 10%, para automóveis com PVP até 25 mil euros) representa um encargo anual de mil euros. O que significa que, para essas viaturas mais acessíveis e, logo, muito procuradas pelas empresas, o aumento de 50% na taxa de tributação autónoma representa um encargo adicional por viatura de 500 euros, para 1500 euros.
 
(saiba mais na edição em papel da VE de 19 de outubro)
IRC
O Pagamento Especial por Conta (PEC) vai deixar de ser obrigatório, mas as empresas têm de pedir dispensa do PEC.
Requerimento de dispensa de PEC
As empresas que queiram ser dispensadas de fazer o Pagamento Especial por Conta (PEC) vão ter de fazer chegar à Autoridade Tributária e Aduaneira esta sua intenção e têm um prazo para o fazer.
 
Prazo de requerimento
O pedido de dispensa deve ser feito através do Portal das Finanças até ao final do 3º mês do respetivo período de tributação.
 
Requisitos para o pedido ser aceite
Para que o pedido seja aceite é necessário que as obrigações previstas na declaração periódica de rendimentos e na declaração anual de informação contabilística e fiscal referentes aos três anos anteriores tenham sido cumpridas.
 
 
Duração da dispensa do PEC
A dispensa é válida por três períodos de tributação.
Ministro da Economia participou no lançamento do livro de Paulo Vaz
“Da tradição se fez futuro – 30 anos de indústria têxtil portuguesa” é o título do novo livro de Paulo Vaz, editado pela “Vida Económica”, que acaba de ser apresentado no Edifício da Alfândega, no Porto.
Na sessão de lançamento, que contou com a participação do ministro da Economia, Paulo Vaz destacou a evolução da indústria têxtil nos últimos 30 anos. “Foram três décadas cheias e intensas que me fizeram crescer como pessoa e profissional, plenas de realizações compensadoras, mas também de alguns momentos de angústia e desalento, não fosse a vida – todas as vidas – feita desta matéria”, afirmou. Para Paulo Vaz, o balanço nesta indústria é claramente positivo: “Vi o setor têxtil e vestuário português crescer e declinar, e, finalmente, ressurgir, renovado, revigorado, motivado e preparado para enfrentar o futuro, porque o deseja fazer melhor. Talvez baste isto para dizer que valeu a pena, mesmo que, para mim, o que me está para vir será certamente menos daquilo que já foi. É a ordem natural das coisas e ainda bem que assim é” – acrescentou.
Para Paulo Vaz, o livro de crónicas que acaba de lançar pode ser um contributo para que alguém, um dia, venha a contar a história moderna desta indústria, de maneira que todos os que nela participaram – empresas e instituições, empresários e quadros, profissionais desta atividade em geral – possam ser lembrados e honrados por esse facto, para que o país lhes reconheça finalmente o mérito, mesmo que não consiga ainda agradecer-lhes devidamente pelo significativo papel na sua salvação, não por uma, mas por diversas vezes.

 
Pensar à frente
 
“A intervenção de Paulo Vaz foi muito para além da sua especial ligação a esse setor, também ele já de si muito especial” – afirmou Paulo Nunes de Almeida. “Foi uma intervenção cívica, que se alargou a muitos outros domínios, contribuindo para um Portugal mais desenvolvido, mais moderno, mais culto e mais solidário” – referiu o presidente da AEP.
“Teria sido mais fácil para ele resumir a sua atividade àquilo que a sua função profissional exigiria. Nada mais. Mas não, tem assumido sempre uma postura participativa, interventiva, crítica, direi mesmo rebelde. Tem sabido pensar à frente, antecipando as mudanças, projetando o futuro, como agora podemos confirmar nos escritos que estão datados” – destacou o presidente da AEP.
“Pessoalmente, tive o gosto de com ele ter privado muito de perto nos últimos anos, durante o período 2003-2008, em que assumi as funções de Presidente da “ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal”, e, posteriormente, em projetos que temos partilhado. Tenho, portanto, essa grande vantagem de, para além de leitor assíduo e atento dos seus textos, ter podido beneficiar dos grandes traços da sua personalidade: profissionalismo, rigor, intuição e coragem. Mas, para além disso, tenho contado com a sua amizade, que, mais do que ser vertida em crónicas, é traduzida em atos de solidariedade e cumplicidade” – acrescentou Paulo Nunes de Almeida.
 
Apostas na renovação da indústria têxtil
 
“Conheci o Paulo na Faculdade. Os dois cursámos Direito na mesma época, na Católica do Porto. E os dois, pouco depois, mergulhámos no vibrante mundo do associativismo empresarial. O Paulo sempre na área do têxtil, eu na ANJE, de onde achei melhor sair quando alguns dos associados começaram a chamar-me Tio!” – disse António Souza-Cardoso. O empresário e presidente da AGAVI afirmou que, como  tinha pregado empreendedorismo a vida toda, fez a “loucura” de se tornar empreendedor. “O Paulo Vaz continuou a somar anos e vitórias, numa teimosa e abnegada insistência de fazer vingar um setor que teve tantas “mortes anunciadas”, disse.
“Foi, nesta primeira dimensão profissional, um Homem Raro – pelo elevado sentido de dedicação e compromisso, pela forma desabrida, corajosa e despegada como lutou contra os muitos coveiros do setor. Pela forma entusiástica e empolgante com que ajudou a renovar, a recriar, a refazer, a inovar… Não serei excessivo se disser que o sucesso presente da ITV, em Portugal, deve-se a meia dúzia de intrépidos guerreiros que acreditaram sempre e, contra ventos e marés, ajudaram a orientar as políticas públicas e a estimular a iniciativa privada. No topo desta lista está certamente o Paulo Vaz, que, pelo tributo que deu, fica credor permanente do agradecimento e da homenagem do setor têxtil e da economia portuguesa” – salientou António Souza-Cardoso.
“A segunda dimensão do Paulo é a dimensão humana, que aprendi a admirar e respeitar. É, outra vez, um Homem Raro – pelo conhecimento, pela mundividência, pela integridade, pela inteligência, por tudo quanto faz de alguém, como dizia Pessoa, “um Homem Inteiro”!
Na terceira dimensão, a de Amigo, o Paulo insiste em ser um Homem Raro. Pela lealdade, pela disponibilidade, pelo bom conselho, pela proximidade, pelo afeto, por aqueles olhos que riem e nos enternecem nas boas tertúlias que temos vivido” – afirmou.
 
“Pelo conhecimento, pela capacidade de ler o tempo e o espaço, pela visão global que tem das pessoas e das coisas, pelo pensamento quase metafísico, pela ponderação e análise sincrética e prospetiva, o Paulo é, mais uma vez, um Homem Raro! Alguém que, num passado e num presente cheio de incertezas, consegue antecipar o que há de mais imprevisível no futuro” – acrescentou.


 
A SAD do FCPorto continua a cumprir com as metas do fair-play financeiro impostas pela UEFA e tudo indica que que poderá deixar de estar debaixo daquele “jugo” a partir de 2019/2020, a últimas das quatro temporadas previstas para acordo entre as instituições. Não obstante, no fim da temporada de 2017/2018, as contas da SAD portistas continuavam no “vermelho” e os capitais próprios eram de 38 120 milhões de euros negativos (bastante acima dos -9135 a 30 de junho de 2017).
O prejuízo era, no fim da temporada passada, de 28,44 milhões de euros, ainda assim com uma melhoria de 6,8 milhões face às perdas de 35,3 milhões de um ano antes. No cálculo do “break-even” do acordo da SAD do FC Porto com a UEFA, são descontados os custos referentes a atividades de desenvolvimento juvenil (formação), custos com amortizações, que não passes de jogadores, IRS e custos relacionados com o próprio “settlement agreement”, entre outros de menor expressão.
Descontando esse valor, que ascendeu a 11,3 milhões de euros, o “break-even” situa-se nos 17,2 milhões de euros negativos. Como a sociedade estava obrigada a um máximo de 20 milhões de euros negativos, pelo que voltou a cumprir, de novo, o acordo com a UEFA. 
A SAD azul e branca  prevê cumprir o plano a quatro anos com o organismo que gere o futebol a nível europeu e atingir número “verdes” no exercício 2018/19, com resultado positivo de 11 milhões de euros. Nesta projeção, a SAD prevê que a equipa principal de futebol atinja os oitavos de final da Liga dos Campeões. "Se tal acontecer, estamos à espera de um valor entre os 67 e os 70 milhões de euros”, prevê Fernando Gomes, administrador financeiro do FC Porto.
Já o EBITDA (cash-flow operacional) era a 30 de junho positivo em 27,9 milhões, acima dos 22,7 de um ano antes. Os custos operacionais (excluindo custos com passes de jogadores) crescem, neste exercício, 11,84 milhões. Fernando Gomes explicou que se deveu, sobretudo, ao acréscimo verificado nos custos com o pessoal, na sequência do pagamento de prémios atribuídos ao plantel e equipa técnica, pela conquista do campeonato nacional. O CFO portista contabiliza seis milhões de euros para essa rubrica.

"Valor do plantel é garantia

Voltando à descida nos capitais próprios para os já referidos 38 120 milhões negativos, Fernando Gomes salienta que não se trata do melhor cenário, mas indica que os montantes pelos quais o plantel e o direito de utilização da marca FC Porto estão contabilisticamente registados abaixo do valor de mercado. “Segundo o site Transfermarkt, muito respeitado, o valor do nosso plantel é no mínimo de 240 milhões de euros. No nosso balanço, o valor que aparece é de 82 milhões de euros", afirma, antes de explicar que, em termos contabilísticos os valores de aquisição de passes são amortizados por duodécimos ao longo do número de anos do contrato.
 
(texto completo na versão em papel de 19 de outubro)
Rui Paiva, CEO da WeDo Technologies
Nasceram no seio da Sonae mas desde logo começaram a exportar soluções para o mercado das telecomunicações. Rui Paiva, CEO da WeDo Technologies, admite que o facto de as empresas estarem a comprar-se umas às outras é um desafio. “De repente, literalmente desaparecem-nos clientes”, disse em entrevista à “Vida Económica”.
Vida Económica (VE) – Hoje, o mercado é tão volátil que amiúde as empresas vão mudando o seu rumo. Como é que podemos definir atualmente a WeDo Technologies? Continuam a ser uma empresa de software?
Rui Paiva (RP) – Sim, continuamos a ser uma empresa de software que trabalha para o mercado das telecomunicações. 
VE – Há uns anos, tinham uma área de negócio muito forte, vocacionada para a proteção da receita dos operadores. Continuam a apostar nessa área?
RP – Sim, o objetivo era verificar se as empresas que atuavam nesse mercado não perdiam a receita, se conseguiam maximizar os dados nesse sentido. Mais tarde, começámos a trabalhar numa área adjacente, com os mesmos dados, para ajudar a evitar a fraude.
VE – E gestão de risco?
RP – Sim, em toda essa área. E é aí, efetivamente, onde temos vindo a crescer mais. Neste momento, posso dizer que somos a maior empresa do mundo, no mercado das telecomunicações, que faz a combinação de tudo isso. Porque há quem atue apenas na área da fraude, mas, no todo, somos a maior empresa. Entretanto, temos crescido nas geografias onde estamos presentes. Temos clientes em 120 países e mais de 600 empregados.
VE – A Sonae continua como acionista maioritário?
RP – Sim. Surgimos como a área de tecnologia da Optimus. Como a maioria de nós tinha vindo tipicamente de multinacionais de software, quando a Optimus perdeu o seu pico, ficou um ‘gap’ de esforço que se poderia fazer. Na altura, com o Paulo Azevedo a presidente, o desafio era usar todo este capital para trazer mais valor para a Sonae. A ideia sempre foi expandir para fora do território nacional, pela simples razão de que, ao estarmos em Portugal ligados à Optimus, os outros operadores não iriam fazer negócio connosco, pelo menos no início. Por isso, passámos logo para a internacionalização. Aliás, o nosso primeiro cliente foi no Brasil.
VE – Na altura, quem era esse cliente?
RP – Uma startup que viria a ser a Oi. Ou seja, trabalhámos com a Oi antes mesmo de existir. 
Somos caros, mas bons
 
VE – O que hoje vos faz ganhar os contratos?
RP – Somos mais caros face à nossa concorrência, por isso não é pelo custo. Há duas razões que nos fazem ganhar os tais contratos. A primeira é a qualidade tecnológica do que desenvolvemos. Na área da fraude todos os dias surgem novas coisas, pelo que temos de estar não só atualizados, mas até à frente da situação. E isso os clientes privilegiam. Depois, acho que pela nossa dimensão. Somos cada vez maiores e normalmente as pessoas compram a quem lhes transmite mais segurança e o nosso sucesso está comprovado. 
Deixe-me dizer-lhe que, hoje em dia, se houver no mundo um operador de telecomunicações que vá comprar uma solução de fraude, de certeza que nos vai ligar. E isso é um trabalho de anos. Antes trabalhei na HP e isso, só por si, abria-me portas. O mesmo aqui. Metade do trabalho está feito. A outra metade é provar que somos os maiores. Não ganhamos sempre, mas estamos lá. E quando não ganhamos, aí sim, é essencialmente pelo custo.
VE – Como vê o negócio a evoluir nos próximos dois anos?
RP – Achamos que a Internet das Coisas veio potenciar-nos o negócio. Ao termos tudo ligado a tudo, os pontos de falha são maiores, o que, do nosso ponto de vista, acaba por ser mais uma oportunidade de negócio. Esse é o caminho que mais nos vai ajudar. Depois, é a interligação dos negócios. Agora não sabemos muito bem se o operador não é um bocadinho o banco ou se o banco é o operador, o que nos estende a outras áreas de negócio. Há operadores que claramente são bancos. Ou seja, já estamos numa área financeira, sem estarmos. A Amazon já é uma empresa de tecnologia, não é um retalhista. E conseguiram comunicar bem isso ao mercado.
VE – Há algum valor na vossa marca que não estejam a conseguir passar ao mercado?
RP – Não somos uma empresa de “mass market” por isso é mais fácil. O “comum” dos portugueses não nos conhece, nem faria sentido conhecer-nos. Mas para o nosso mercado-alvo, acho que comunicamos bem. O que nos interessa passar é que somos tecnologicamente disruptivos, que ao comprarem uma solução nossa não vão comprar uma coisa que vai ficar parada no tempo. Temos que corresponder a essa ideia e isso só quer dizer que todos os anos temos de investir fortemente. 
Consolidação dificulta negócio
 
VE – Quais têm sido os principais desafios? Suponho que, por estarem presentes globalmente, não tenham sentido o impacto do período economicamente mais desfavorável que, por exemplo, a Europa enfrentou.
RP – O nosso maior desafio é ultrapassar o facto de os operadores de telecomunicações terem vindo a comprar-se uns aos outros. Ou seja, de repetente, perdemos clientes. Literalmente, desaparecem-nos clientes, além de que a sua própria receita diminui. Daí que, todos os anos, para fazer a mesma receita, o esforço é muito maior. Ser global tem a mesma vantagem que quando optamos, não por comprar ações de apenas uma empresa, mas antes um portfólio. Há o efeito de «alisar». E nós conseguimos isso. Contudo, o crescimento é complicado e continuamos a ter a barreira da economia mundial. 
VE – Neste momento, qual a geografia mais interessante para vocês?
RP – Os Estados Unidos. E por várias razões. Primeiro, são muito abertos e isso é excelente. Depois, pela dimensão das suas organizações, o que torna grandes os pequenos negócios. Ao mesmo tempo, para eles, somos uma empresa de “vão de escada”. Conseguir ter a sua atenção para fazer uma venda é muito difícil. Claro que a Ásia é também muito interessante, apesar de verdadeiramente grande, por isso estaremos a falar de sub-regiões, como Indonésia, Malásia, Tailândia.
VE – Não estão presentes na China?
RP – Não. Começámos a trabalhar na Coreia e estamos a tentar o Japão. É a parte evoluída da Ásia e é importante como referência para o resto.
VE – No meio de tudo isto, quanto representa Portugal no negócio?
RP – Não mais do que 5%.
VE – E em Espanha?
RP – Também pouco. Na Europa, Inglaterra é o nosso maior mercado.
VE – Falou nos Estados Unidos e na dimensão das empresas. O mais interessante nessa geografia é o que aporta em termos de volume de negócios?
RP – Sim, mas também porque, tipicamente, a tecnologia que é adotada pelos norte-americanos fica sempre como uma referência para o resto do mundo. Não que eles próprios sejam muito avançados tecnologicamente, porque não são. Eles são avançados nos produtos que vendem, não nos que usam, porque as empresas não são muito avançadas. Contudo, têm as “Apple”, avançadíssimas, a vender para fora. São muito mais marketing e vendas.
VE – Vê a empresa a abraçar outros nichos a breve prazo que não as telecomunicações? A área financeira, por exemplo, não vos cativa?
RP – Não, é uma área muito específica na qual os fornecedores são de relação. Se fizéssemos um passo lateral, seria mais nas ‘utilities’, como energia. Outro seria a área da saúde.
REFLEXÕES SOBRE EMPRESAS FAMILIARES
O Centro Interdisciplinar da Universidade do Minho, em copromoção com a AEP, desenvolveu um projeto, apoiado pelo Norte 2020, com o objetivo de efetuar um estudo detalhado do tecido empresarial familiar do Norte do país.
O resultado é um trabalho pioneiro e inovador, que partiu de uma base de dados de mais de 44.000 empresas familiares, e uma amostra de cerca de 1200 sociedades que responderam a um detalhado questionário.
Um dos pontos de partida e justificativos deste empreendimento foi o reconhecimento da importância das sociedades familiares para a coesão territorial, ao serem entidades estáveis e com fortes ligações ao meio onde estão inseridas, nomeadamente pela criação e manutenção de emprego.
A minha participação neste empreendimento, em especial na dinamização dos workshops realizados nas distintas NUTS III e no relatório, permitiu um fanNorte: Mapeamento, Retratos e Testemunhos”, um dos resultados do projeto que foi apresentado em setembro.
A minha participação neste empreendimento, em especial na dinamização dos workshops realizados nas distintas NUTS III e no relatório, permitiu um fantástico contacto com múltiplas e distintas realidades dos negócios familiares e seus líderes, bem como das estruturas locais (associações e câmaras municipais) que se esforçam por proporcionar condições para que estas se fixem e se desenvolvam nas suas regiões.
Neste contexto, e como singelo reconhecimento pelo grandioso papel desempenhado pelas empresas familiares, dedicarei os próximos artigos, de reflexões sobre empresas familiares, a analisar dados do relatório “Empresas familiares da Região Uma primeira síntese do trabalho surge refletida na matriz SWOT, cujo quadrante relativo aos pontos fortes das Empresas Familiares destaca os seguintes:
  • Contributo para o PIB e o emprego;
  • Atuação transversal dos setores económicos;
  • Dinamismo económico no setor dos serviços e TIC;
  • Fixação de pessoas em regiões mais desfavorecidas e mais afastadas do litoral;
  • Estabilidade e forte ligação às comunidades locais;
  • Visão do(a) fundador(a) e transmissão intergeracional de valores e conhecimento.
Dada a relevância de cada um destes pontos, os mesmos serão abordados de forma mais pormenorizada nos artigos seguintes, e os exemplos suportar-se-ão em negócios de diversas dimensões e típicos das empresas da região.
Contudo, este será ilustrado por um caso que não representa a “típica empresa familiar” portuguesa, mas que, por estes dias, teve uma cobertura mediática a nível global e exemplifica a quase totalidades dos pontos fortes referenciados.
A 21 de setembro de 2018, cerca de 11 anos após ser fundada, ocorreu o primeiro IPO de uma “start-up” portuguesa na bolsa de Nova Iorque. Principais dados: preço de venda inicialmente previsto - $15 a $17; preço de venda - $20; preço de fecho 1º dia em bolsa - $28 e ainda nunca teve lucros nem sabe quando os vai alcançar!
José Neves, aos 44 anos, vê a sua posição de cerca de 15% valorizada em mais de mil milhões de dólares, e a empresa a valer algo como mais de $2500 por cada um dos cerca de 2,3 milhões dos seus clientes.
Considera-se uma empresa tecnológica, e o seu fundador diz que “somos o elo de ligação entre uma base global de consumidores e uma indústria da moda de luxo que é altamente fragmentada — e assumimos o papel de principal parceiro de inovação para esta indústria”.
Uma empresa que leva produtos a 190 países, com principais filiais em Guimarães, Porto e Lisboa, e emprega mais de 2.400 pessoas.


António Nogueira da Costa
Especialista em Empresas Familiares
antonio.costa@efconsulting.pt
pt.linkedin.com/in/antonionogueiradacosta/
http://www.facebook.com/ajncosta
@empresasfamiliaresdesucesso
 
 

Especialistas na consultoria a Empresas Familiares
e elaboração de Protocolos Familiares
http://www.efconsulting.pt
 
 
 
 
Colunista: 
António Nogueira da Costa
MARIA SALOMÉ RAFAEL, PRESIDENTE DA NERSANT, CONSIDERA
“Não pode existir um Estado Social sem empresas competitivas, pois só assim poderemos redistribuir a riqueza que as empresas produzirem”, afirma Maria Salomé Rafael, nas vésperas da apresentação do OE2019 e da realização da sétima edição do NERSANT Business.
Continuadamente a potenciar os negócios (19%) e as exportações (31%) das empresas participantes, a presidente da NERSANT considera o evento uma “aposta ganha”.
“Mas o grande mérito deve ser dado às empresas ribatejanas e nacionais, pela sua capacidade de aumentar a qualidade e competitividade dos seus produtos e serviços”, acrescenta Salomé Rafael.
Vida Económica – Quais os objetivos para a sétima edição do NERSANT Business?
Maria Salomé Rafael – Os objetivos do NERSANT Business 2018 passam sobretudo por promover as exportações e a internacionalização das empresas ribatejanas e portuguesas e por atrair investimento estrangeiro para o Ribatejo e para o nosso país. Estes objetivos estão na génese do evento e mantêm-se bem atuais. 
Na primeira edição, em 2012, recebemos delegações de seis países. Este ano, estarão 36 países representados, em busca de oportunidades de negócio em diferentes setores, com destaque para a agroindústria, comércio de produtos agroalimentares e bebidas, construção civil e obras públicas, materiais de construção, energias renováveis/alternativas, metalomecânica, transportes e logística e TIC, entre outros. Esta procura crescente mostra que estamos no caminho certo e que NERSANT Business está alinhado com as empresas e com as suas necessidades e ambições.
Mas o grande mérito deve ser dado às empresas ribatejanas e nacionais, pela sua capacidade de aumentar a qualidade e competitividade dos seus produtos e serviços.
 
VE – Qual é o segredo do sucesso?
MSR – O NERSANT Business tem um cariz muito pragmático, focado no encontro entre empresários e na concretização de negócios. Esta premissa, que nos acompanha desde a primeira edição, permite que cada um dos empresários portugueses que participam no evento possa reunir no mesmo espaço com empresários estrangeiros, com o objetivo de apresentar a sua empresa, o seu negócio, produto ou serviço e daí obter mais-valias comerciais. Há um trabalho prévio por parte da NERSANT no sentido de elaborar um calendário de reuniões B2B para cada um dos participantes e de acordo com os seus objetivos específicos. E há toda uma planificação para que cada delegação internacional tenha o devido acompanhamento antes, durante e depois do evento. No ano passado, por exemplo, foram realizadas mais de mil reuniões de negócios. Isto só é possível com uma organização forte e com muito pragmatismo. Estamos certos de que este é um ponto diferenciador do evento e algo que queremos continuar a consolidar.
 
VE – A escalada de uma guerra comercial entre EUA e China é prejudicial para os negócios internacionais?
MSR – Claro que sim, sem dúvida. Uma guerra comercial entre EUA e a China terá um impacto global cujas consequências são imprevisíveis. As medidas protecionistas têm sempre um efeito muito negativo sobre todas as economias, como sabemos.
 
VE – De que forma é que as empresas portuguesas, e, em particular, as ribatejanas, podem ser afetadas?
MSR – O aumento das barreiras comerciais pode ter um impacto muito negativo sobre a economia portuguesa, nomeadamente sobre as exportações. As empresas ribatejanas, que investiram fortemente, nos últimos anos, na procura de novos mercados e que estão muito focalizadas nos mercados internacionais, poderão ser penalizadas. 
 
VE – Uma última questão sobre a proposta do Orçamento do Estado para 2019, que no dia em que falamos [a passada segunda-feira] ainda não é conhecida e será apresentada nos próximos dias. Espera que seja “amigo” das empresas?
MSR – A nossa expectativa é de que o novo orçamento possa incluir algumas medidas que são há muito defendidas pelos empresários. Medidas que estimulem o investimento, que melhorem a envolvente externa e que potenciem o crescimento empresarial. Do que se vislumbra, nesta altura, não nos parece que exista alguma medida deste género. Insistimos, por isso, na ideia de que não pode existir um Estado Social sem empresas competitivas, pois só assim poderemos redistribuir a riqueza que as empresas produzirem.


NERSANT BUSINESS VAI TER SÉTIMA EDIÇÃO
Empresas participantes aumentam negócios
e exportações
 
A Associação Empresarial da Região de Santarém (NERSANT) promove, de 15 a 17 de outubro, a sétima edição do NERSANT Business, um fórum internacional de negócios. Marcado para o Hotel dos Templários, em Tomar, o evento é uma das maiores mostras de networking em Portugal. Este ano, vai contar com delegações de 36 países, contra seis na primeira edição, realizada em 2012. 
A NERSANT realizou um estudo a um universo de 102 empresas que participaram no evento nas edições realizadas nos anos de 2014 e 2015, e concluiu que entre 2012 e 2016 o volume de exportações das mesmas aumentou 28 milhões de euros, um incremento na ordem dos 31%. Na mesma análise, a NERSANT verificou ainda que as empresas participantes no Encontro Internacional de Negócios do Ribatejo viram o seu volume de negócios aumentar mais de 75 milhões de euros entre 2012 e 2016, o que corresponde a um crescimento de 19%. Relativamente aos resultados líquidos do exercício apresentados pelas empresas participantes no NERSANT Business entre 2012 e 2016, que era negativo em 3,6 milhões, constata-se uma melhoria significativa, na ordem dos 20 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 463%. Quanto ao número de empregados, verificou-se a criação de 645 postos de trabalho entre os anos de 2012 e 2016, um aumento de 23%. Há ainda a referir que só 64% das empresas exportavam, tendo este número subido para 73,5%, passando de 65 para 75 empresas. “Estes números confirmam que o NERSANT Business é uma aposta ganha”, afirma Salomé Rafael.