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Meeting de atletismo de Londres com recorde mundial na marcha atlética

O britânico Tom Bosworth obteve o segundo recorde mundial da sua carreira no Estádio Olímpico de Londres, ao vencer os 3.000 metros marcha com uma marca de 10.43,09 minutos, do ‘meeting’ da capital inglesa, da Liga Diamante.

O britânico, de 28 anos, melhorou em pouco mais de quatro segundos o anterior máximo (10.47,11), que pertencia ao italiano Giovanni de Benedictis e foi obtido em Itália, em San Giovanni Valdarno, em 19 de maio de 1990.

Bosworth, que já detém o recorde mundial da mesma distância, mas em pista coberta, com a marca de 10.30,28 minutos (Glasgow, em 25 de fevereiro), foi segundo nos Jogos da Comunidade Britânica no início desta época.

Foi o maior destaque de um ‘meeting’ que conheceu bons resultados, mas sem o nível da competição no Mónaco, na véspera.

Um dos destaques vai para a prova de 100 metros, que o norte-americano Ronnie Baker venceu em 9,90 segundos, derrotando o britânico Zharnel Hughes (9,93) e o sul-africano Akani Simbine (9,94), numa prova em que seis dos participantes correram abaixo de 10 segundos.

A nota negativa nesta prova vem da lesão, durante o aquecimento para os 100 metros, do recordista mundial dos 60 metros em pista coberta, o norte-americano Christian Coleman.

Ainda destaque para o triunfo da jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce (10,98 segundos) que só regressou ao alto rendimento há cerca de um mês depois de paragem para ser mãe.

Na competição, nota também para o triunfo nos 400 metros barreiras do norueguês Karsten Warholm, de 22 anos, campeão do mundo em 2017, fazendo um novo recorde do seu país (47,65 segundos), e a sua quarta corrida esta época abaixo de 48 segundos, e para a mesma distância, sem barreiras, com o vencedor Abdalleleh Haroun a fazer 44,07 segundos, novo recorde do Qatar.

REFLEXÕES SOBRE EMPRESAS FAMILIARES
A visão do futuro é um elemento imprescindível à sobrevivência de qualquer empresa familiar.
A máxima “quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, atribuída a Séneca, tem uma aplicação textual às empresas. Se os sócios ou a família empresária não definirem e os gestores não refletirem uma visão na empresa, é o mesmo que assumirem que esta pode navegar no mar dos negócios sem um destino definido.
Esta indefinição, mesmo que a sociedade seja detida e gerida pelas mesmas pessoas, mais cedo ou mais tarde, vai ser geradora de desmotivação e, a médio prazo, de conflitos. Qualquer resultado que a empresa alcance vai ser passível de duas interpretações:
  • normal: contentamo-nos com tudo (um dia até com a própria extinção);
  • podia ser melhor: insatisfação constante (chegamos à lua, mas ficamos longe de marte …)
O estudo “Empresas familiares da próxima geração: Liderando um negócio familiar num ambiente disruptivo”, da Deloitte, indicia que a grande maioria das empresas familiares controlada pelos inquiridos possui uma visão do futuro: 84%, contra uns pouco significativos 4% dos que considera não terem esse farol à navegação.
Com estes resultados pelo menos um dos fatores que auxilia a continuidade das empresas ao longo das gerações está minimizado e a gestão sabe que rumo deve dar ao negócio de conduz.

Em 2018 comemora-se o centenário da então batizada firma Flôres e Couto que, em 1932 e sob a responsabilidade de Alberto Ferreira do Couto, lança a “Pasta Medicinal Couto”. Tendo por fim combater os problemas nas gengivas provocados pela sífilis, rapidamente se transformou no produto imagem da empresa.
Na época pós-revolução, a marca entrou num período de esquecimento e grande redução de vendas. O movimento iniciado por Catarina Portas na 1ª década do séc XXI, de renascimento de marcas de culto, veio despoletar uma nova vida. Não sendo fácil relançar uma marca que faturava pouco, mas que ainda estava no imaginário de muitos portugueses, o desafio foi assumido por Alberto Silva, sobrinho que sucedeu ao fundador em 1974 e a sua esposa.
A agora Couto, S.A. mudou-se para novas instalações onde no moderno laboratório continuam a produzir de forma semi-artesanal e fiel à tradição e antiga receita (sem recurso a ingredientes de origem).
À pasta Couto seguiram-se outros produtos icónicos: o “Petróleo Olex” e o “Restaurador Olex”.
Em 2017 foram lançados novos produtos: creme de mãos, creme hidratante, sabonete e a primeira caixa metálica de coleção para celebrar a publicidade vintage da “Pasta Medicinal Couto”

Temas para reflexão:

  • O que está a mudar no nosso mercado?
  • Os nossos produtos estão ajustados às mudanças expectáveis?
  • Que novos produtos ou iniciativas devemos desenvolver para continuar a competir?

António Nogueira da Costa
Especialista em Empresas Familiares
antonio.costa@efconsulting.pt
pt.linkedin.com/in/antonionogueiradacosta/
http://www.facebook.com/ajncosta
 
Especialistas na consultoria a Empresas Familiares
e elaboração de Protocolos Familiares
Porto   http://www.efconsulting.pt
 
 

Colunista: 
António Nogueira da Costa
A “Vida Económica” consultou as informações publicadas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) e concluiu que cerca de 30% da fatura energética dos portugueses corresponde a taxas e impostos.
A somar aos custos da energia propriamente dita, que resulta da soma da energia consumida e da potência contratada, existem outros débitos que são feitos na fatura, definidos legalmente e que todos os comercializadores de eletricidade são obrigados a cobrar, nomeadamente a Tarifa de Acesso à Rede, que representa os custos das redes necessárias ao transporte e distribuição desde os centros electroprodutores até aos consumidores, e os Custos de Interesse Económico Geral (CIEG), e os impostos sobre a fatura de fornecimentos, que engloba os vários tipos de tributação definidos pelo poder governativo. Nestes últimos, estão incluídos a Contribuição Audiovisual (CAV), o Imposto Especial de Consumo de Eletricidade (IEC), a Taxa de Exploração da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e o IVA.
Criada em 2003, a CAV tem como função o financiamento do serviço público de rádio e de televisão e tem um custo mensal de 2,85 euros, ou seja, 34 euros anuais. Este valor é entregue à RTP e representará, este ano, um total de cerca de 20 milhões de euros.
Assim como a CAV, a Taxa de Exploração da DGEG é também destinada a financiar uma organização estatal. Feita por intermédio dos distribuidores de eletricidade, a taxa, no valor fixo de 7 cêntimos, é cobrado pela exploração das instalações elétricas por conta da Direção-Geral de Energia e Geologia, daí a sigla DGEG.
Fazendo parte da subcategoria do Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISPE), o IEC tem como fundamento as preocupações ambientais e foi aprovado pela União Europeia através de um diploma relacionado com os assuntos tributários dos produtos energéticos. Em Portugal Continental a taxa está fixada em 1 euro por MWh o que resulta numa receita para o Estado de cerca de 47 milhões de euros por ano.
Por fim, existe ainda o IVA, que incide sobre qualquer despesa ou consumo efetuado em território nacional e, por isso, também sobre todas as demais parcelas que constituem a fatura energética dos consumidores. O Governo admitiu já estar a equacionar a hipótese de baixar o IVA da eletricidade para 6%, em 2019, ano de eleições legislativas. Porém, segundo um estudo elaborado pelos professores Alfredo Marvão Pereira e Rui Manuel Pereira, da faculdade de William and Mary, esta alteração teria um impacto de 120 milhões de euros nas receitas do Estado.
Cláudia Azevedo vai substituir Paulo Azevedo e Ângelo Paupério na Comissão Executiva da Soane. A nomeação de Cláudia Azevedo inicia um novo ciclo na gestão do maior grupo privado português.  Paulo Azevedo foi durante 12 anos o presidente da Comissão Executiva da Sonae, tendo partilhado as funções com Ângelo Paupério, que assumiu o cargo de co-CEO.
Os dois gestores vão continuar no grupo Sonae em funções não-executivas, dando continuidade ao papel de Belmiro de Azevedo, com uma ação mais estratégica a partir de 2006, quando as responsabilidades da gestão executiva foram assumidas por Paulo Azevedo.
A nomeação de Cláudia Azevedo como nova presidente executiva da Sonae acaba de ser anunciada. “Agradeço o voto de confiança manifestado pelo Conselho de Administração da Sonae e pelo Conselho de Administração da Efanor na proposta da minha eleição para CEO da Sonae para o mandato a iniciar em 2019.
Uma responsabilidade que aceito, com a convicção de quem olha para o futuro e tem a confiança de ter nos valores Sonae a determinação e otimismo necessários para enfrentar os desafios que seguramente surgirão.
Agradeço também a oportunidade que terei, liberta de funções executivas, para preparar adequadamente o próximo mandato.
Até lá, as equipas executivas em funções serão responsáveis por todas as comunicações ao mercado – afirmou Cláudia Azevedo.  Na Sonae Capital a gestora é substituída por Miguel Gil Mata.
Cláudia Azevedo vai assumir o cargo de presidente da Sonae aos 48 anos. É licenciada em Gestão na Universidade Católica e tem um MBA do INSEAD, em Fontainebleau.
Em  comunicado, a Sonae destaca o papel de Ângelo Paupério e Paulo Azevedo ao longo de 30 anos de cargos executivos no grupo, 20 dos quais como membros da Comissão Executiva, incluindo os 12 em que ocuparam a respetiva liderança.
“Os seus contributos individuais foram determinantes para o crescimento da importância social e económica do Grupo e permitiram-lhe passar incólume pelas crises económicas e éticas dos últimos anos” – refere o comunicado.

Nova equipa de gestão está a ser escolhida

A equipa que vai acompanhar Cláudia Azevedo na nova comissão executiva da Sonae ainda não é conhecida. Na qualidade de principal acionista, a EFANOR manifesta “o seu compromisso para colaborar com o Conselho de Administração da Sonae na tarefa de completar a sua composição para o próximo mandato, por forma a que esta cumpra criteriosamente o objetivo de conciliar uma equipa executiva composta por profissionais de elevado nível, uma representação conhecedora e empenhada do acionista de controlo e um conjunto de administradores não-executivos independentes de reconhecida competência e experiência em matéria de governo corporativo”. Na perspetiva da EFANOR, este equilíbrio é imprescindível para assegurar a continuação de um trabalho conjunto entre a família e uma equipa de profissionais de topo, baseada no mérito e na capacidade de promover a excelência e enquadrada pelas melhores práticas de corporate governance.
Agostinho Lopes, membro do Comité Central do PCP, afirma
O nuclear “deve ser avaliado, do ponto de vista da estrutura tecnológica existente e oportunidade. Não devemos dizer simplesmente não ao nuclear”, afirma Agostinho Lopes, membro do Comité Central do PCP.
Os acordos realizados entre governantes e partidos políticos ao nível dos recursos energéticos, sobretudo combustíveis e energia elétrica, criaram uma fatura “monstruosa” que terá de ser paga pelos consumidores, particulares e empresas, prejudicando a competitividade do país, acrescenta.
EDP, REN e GALP terão, segundo o mesmo responsável, sonegado recursos financeiros públicos avultados, com violação das leis nacionais e comunitárias. Tudo isto com a inércia das entidades reguladoras, ERSE e Autoridade da Concorrência.
Vida Económica – Em relação ao setor da energia e da política que tem sido seguida, acha que houve erros cometidos e que estão a ter custos grandes, quer para as pessoas, quer para as empresas?
Agostinho Lopes -
Temos ideias bastante claras sobre essa questão, mais concretamente sobre a política energética que tem sido seguida nos últimos anos. Sobre ela, temos tido uma intervenção regular na Assembleia da República, com projetos e propostas, quer relativamente à energia elétrica, quer ao gás natural e outras formas de energia.
Temos a ideia de que as políticas prosseguidas nos últimos anos cometeram um erro básico quando, a partir de 1994, se avançou na privatização de empresas estratégicas estatais, Galp e EDP, pelo caráter do produto que ofereciam no mercado, sobretudo a EDP, já que a Galp não era a petrolífera única no mercado.
O processo de privatização destas empresas estratégicas, particularmente em áreas ou segmentos de atividade que são monopólios naturais, particularmente a EDP – que era onde ainda estava integrada a rede de transportes – mas também algumas das estruturas produtoras, como as barragens.
Temos uma comissão de inquérito em funcionamento na AR, que, espero, demonstre o fundamental destas nossas ideias e a razão que tínhamos quanto a esta abordagem. O que se constata é que tudo aquilo que se dizia, aliás, consta dos preâmbulos da legislação e das declarações do discurso político em torno das privatizações, do desmembramento da EDP (produção, transporte e distribuição comercial) e da liberalização do mercado, que iria haver concorrência – pois é uma evidência que esses mercados são oligopolizados, no melhor dos casos, mas até onde há conluio tácito, evidente (entre nós, o caso mais claro são as petrolíferas) ou onde uma das empresas é de tal forma dominante, é o caso da EDP, que o resultado ao fim destes anos é exatamente o contrário – a concorrência é aquilo que sabemos, os mercados estão cheios de problemas de opacidade, falta de transparência, perante a total incapacidade, impotência das duas entidades reguladores fundamentais, a Autoridade da Concorrência e a ERSE no setor da energia.
É muito interessante, por exemplo, ver o novo relatório da AC sobre o setor dos combustíveis. A listagem daquilo que as anteriores administrações da AC se comprometeram fazer, para aumentar a concorrência no setor dos combustíveis, a grande parte está hoje por fazer. Com a construção de alguns absurdos completos, como no caso da REN (que diz estar num mercado de funcionamento capitalista), uma empresa capitalista cujos lucros são fixados administrativamente pelo Estado, por via da ERSE, que não tem riscos nos seus investimentos principais na rede, que são todos suportados pelos clientes, e os realiza sem haver discussão na AR.
Que absurdo é este? Qual é o risco do capital investido na REN? O risco é o Estado falir e não lhe pagar ao fim do ano as respetivas rendas.
Perante todo um discurso político que havia de que a concorrência ia permitir melhorar o acesso, os preços e as tarifas, aconteceu exatamente o contrário. Outro caso, provavelmente, até o mais flagrante, é a Galp, cuja liberalização no mercado se realiza em janeiro de 2004. Esta empresa multiplicou por cinco os lucros nos anos consecutivos relativamente ao triénio antecedente à liberalização dos preços dos combustíveis. À custa de quem? Das famílias portuguesas e, particularmente, da competitividade.
Quando se fala do trabalho, do quadro laboral, etc., esquecemo-nos sistematicamente dos  preços brutais do fator energia. Nalgumas indústrias, é um fator que pesa mais nos custos operacionais das empresas, mais do que a mão-de-obra.
O caso da energia elétrica é outro que tal. Os cálculos hoje mostram que andamos a pagar a mais desde 1994 e 1995, graças a uma “armadura legislativa” que foi criada no sentido, diziam eles, de criar um mercado liberalizado.

VE - Foi daí que resultou e défice tarifário atual?
AL-
É importante hoje refletirmos sobre o défice tarifário, que eu chamo de “dívida tarifária”, porque é mais uma dívida do que uma tarifa. Mesmo quando estamos a refletir sobre os dados do INE e Eusostat sobre os preços da energia em Portugal, nunca nos podemos esquecer que esses preços estão onerados por uma dívida tarifária brutal, que não está refletida nos preços e que alguém a vai pagar, se não forem os clientes, a economia em geral, os consumidores domésticos e empresas, vão ser os contribuintes, inevitavelmente.
Foi criado um “monstro” – esta palavra foi utilizada por um homem de Direita, que foi o primeiro a ser ouvido na comissão, o professor Pedro Sampaio Nunes, ex-secretário de Estado do Governo de Santana Lopes, que anda a reclamar desta questão há muitos anos. Quando o DL que passou os CAE — contratos de aquisição de energia — a CMEC, que é uma das fontes destas rendas excessivas da EDP, ele, numa reunião de secretários de Estado, manifestou a sua posição relativamente àquele diploma. Ficámos a saber isso agora, durante a audição. E, segundo disse, só não tomou outra posição porque era o primeiro Conselho de Secretários de Estado onde ia participar e porque também não queria afrontar o seu colega responsável pela pasta da Energia e que tinha avançado com essa legislação, Manuel Lancastre, que também vai ser ouvido pela Comissão.
Nessa passagem dos CAE para os CMEC — que tinham sido constituídos relativamente à EDP, às principais centrais produtoras da EDP (as duas primeiras não são dela, são da Tapada do Outeiro e Central do Pego), era ministro Mira Amaral, que também lá irá [à comissão de inquérito], que faz parte do grupo de Pedro Sampaio Nunes de oposição a este sistema, não à privatização, não à liberalização, não ao “pecado original”, na nossa opinião, que está na origem destas questões — que justificou os chamados contratos de aquisição de energia (a garantia do sistema eletroprodutor português de comprar toda a energia daquelas centrais nacionais), como uma forma de atrair investimento estrangeiro, em projetos de grande dimensão, garantindo aos investidores uma renda.
Depois foi a eletroprodutora da EDP. Não fazia sentido nenhum, porque elas eram centrais que estavam amortizadas no fundamental, que se lhes continuasse a garantir um prémio, uma garantia de aquisição de energia.
Com a transformação dos CAE em CMEC, em que foram constituídos custos de equilíbrio contratual de aquisição de energia, a ideia de manter os CAE ainda menos se justificava. É espantoso — isto mostra como estas coisas funcionavam, mas agora vai ficar tudo muito mais claro, como esse diploma - ainda do Governo de Santana Lopes, depois concretizado pelo Governo seguinte, de José Sócrates e Manuel Pinho — é legislado com base num pedido de autorização legislativa apresentado na AR, que foi aqui discutido e ao qual nos opusemos, acompanhado de uma proposta de decreto-lei como anteprojeto atrelado sem uma peça fundamental, que é o parecer da entidade reguladora, a dizer o que aquilo iria provocar. Como é que um órgão, a quem cumpre legislar a base do decreto-lei, pode ocultar um parecer desta importância?

VE – Então, não era possível que esses contratos tivessem sido realizados sem a conivência dos políticos. Certo?
AL -
É uma evidência que isso acontece até com coisas piores. Porque esse primeiro DL já tinha problemas. Este homem, que foi funcionário dentro desta área na Comissão Europeia, está perfeitamente convicto de que aquilo viola os próprios tratados, regras e princípios de concorrência da União Europeia. Já é altura de se resolver isto, que era a AR ou o Governo decidir pelo recurso para o Supremo Tribunal de Justiça Europeu para por fim àquilo
Aquilo é perverso e depois agravou-se a situação. No início do Governo Sócrates é feito um DL que, apesar de tudo, atenua a dimensão daquilo e a seguir, passado um ano, é feito outro que repõe aquilo outra vez.
É difícil perceber como as coisas aconteceram, mas hoje elas estão, para nós, claras relativamente a este processo, mas com consequências gravíssimas em Portugal. Trata-se de um recurso essencial, transversal a toda a sociedade, que, mesmo sem o custo da dívida, tem preços altos ao nível europeu, sem falar do poder de compra comparativo.

VE – Num caso como o da EDP, em que um presidente é suspeito de corrupção por atos de má gestão, acha que ele devia suspender as funções?
AL -
Há aqui questões que fogem deste âmbito. Isto é, haverá problemas de corrupção, ativa e passiva, etc., que, poderemos dizer, a Procuradoria da República e o DIAP estarão a investigar e irão tirar conclusões. E algumas coisas virão para cima da mesa da Comissão de Inquérito. Mas esse não é o papel daquele escrutínio, que cabe ao poder judicial. O certo é que este “monstro” que foi construído a partir da privatização, desmembramento da EDP, liberalização do ”mercado” de energia elétrica – entre aspas porque é muito difícil falar aqui em mercado – só é possível ter sido construído com acerto de opiniões, articulação entre gente da EDP, membros do Governo, o aparelho de Estado ligado ao setor de energia, à Direção-Geral de Geologia e Energia. Aliás, depois começa a verificar-se a transição de homens de uns sítios para outros. Isso é claro que há ali uma articulação.
São coisas do arco da velha. É uma “selva legislativa” infindável que está construída. Coisas como uma portaria a dizer que aquilo que está ali está escrito são coisas que a EDP — empresa já privada – propôs. Como é possível que um governante assine uma portaria em que coloque lá que isto corresponde à proposta da EDP?

VE – Neste momento uma garrafa de gás custa o dobro que custa em Espanha…
AL -
Esse é outro problema que está perfeitamente detetado. A DGE e a AC já sabem que isso corresponde a preços absolutamente fora de controlo.

VE - Mas não fazem nada?
AL -
Eles dizem que vão fazendo.

VE – E quanto às eólicas e energias alternativas, também se justifica a subsidiação?
AL -
No caso em que as tecnologias estão maduras e uma parte do capital está amortizado, fotovoltaica hoje e eólica no fundamental, não há razão alguma para o Estado continuar a subsidiar. Sempre defendemos que o país não estava a fazer uso pleno dos seus recursos endógenos energéticos, vento, hidráulica, etc.. Nesse sentido, sempre fomos a favor deste aproveitamento. E na medida em que as tecnologias necessitem, o apoio inicial deve ser dado. Agora, não pode constituir um “fardo” a pesar sobre o custo das tarifas da forma que está.
Aqui, regresso ao nosso ponto de vista inicial, numa empresa como a EDP, pública, não era preciso que o Estado a subsidiasse, ela é que investiria uma parte dos seus lucros, dos resultados líquidos, no desenvolvimento desses recursos endógenos.

Nuclear deve ser avaliado

VE - E considera que o nuclear deve ser avaliado?
AL -
Deve ser avaliado, do ponto de vista da estrutura tecnológica existente e oportunidade. Não devemos dizer simplesmente não ao nuclear.
Provavelmente, o país, neste momento, não tem oportunidade, mesmo tendo reservas importantes, que podem ser explorados em função dos interesses nacionais.

VE- Mas o Partido Comunista, ao contrário dos outros, assume isso…
AL -
Têm medo de abordar estas questões com toda a clareza, ao contrário de nós. Pensamos que, atualmente, não há razões para caminharmos nessa direção, já que os resíduos nucleares são um problema que continua por resolver e sobretudo porque com os recursos renováveis que estão criados podemos responder ao que é fundamental, assim haja uma gestão adequada do que temos.

VE - A EDP está de novo a ser nacionalizada pelo Estado chinês, no qual quem manda é o Partido Comunista.
AL -
(Risos). Nós temos uma posição contra essa dita nacionalização, seja de capital americano, francês ou outro qualquer. Empresas estratégicas para o interesse nacional devem estar sob o comando do Estado.
O caso da REN ainda é pior, que determina quem mete eletricidade na rede, podendo favorecer certos produtores. É um absurdo total!

VE - Mas um Estado chinês, que dá espaço de manobra aos privados, é adequado ou não nos dias de hoje?
AL -
Não quero pronuncia-me sobre aquilo que um Estado, nomeadamente o chinês, entende ser do seu interesse. Mas não é, em absoluto, do interesse do Estado português.

VE - Mas há aquele princípio “proletários de todos os países unidos”…
AL -
(Risos, de novo). Não, aqui não há união nenhuma, há desunião e forte.

VE - No entanto, trata-se de um regime de Esquerda…
AL -
Quanto a isso, dizemos uma coisa muito clara: é um Estado que continua a afirmar que quer construir uma sociedade progressista, mas isso é a sua gestão. Relativamente aos investimentos realizados em Portugal, estamos contra este domínio pelo capital estrangeiro de empresas estratégicas, como as energéticas, que põem em risco a soberania nacional.
Estes últimos 20 anos demonstram que as entidades reguladoras não regulam nada. As entidades reguladoras constatam que há problemas, quando constatam, ainda por cima funcionando mal, ERSE e AC, não só nesta área. Quantos processos por abuso de dependência económica de grandes empresas, quantos foram avançados neste país por via da AC?

VE - Em contrapartida, tem havido uma perseguição dos pequenos operadores económicos, através da ASAE…
AL -
É evidente. Como eles não intervêm aí, depois fazem-no de outra forma.

PCP a favor da iniciativa privada

VE - O Partido Comunista acha que a concorrência e a intervenção dos privados na economia é salutar?
AL -
Primeiro, há setores e setores. Não razões para que em alguns deles continuem a funcionar na base das micro, pequenas e médias empresas. Segundo, em setores estratégicos o Estado precisa de ter esses instrumentos para, onde há mercado, como os combustíveis fósseis, possa ter o seu papel de regulador, noutros casos para assegurar que não há monopólios naturais, como a REN, que têm estruturas em rede no país, onde a presença no território não poder ter por fim apenas o lucro.
A existência de entidades públicas, como a Galp e a EDP, era uma forma de o Estado assegurar a concorrência, que poderiam funcionar como barómetros de preços justos.

VE - A solução passa por nacionalizar no todo ou em parte a EDP e a REN?
AL -
Exatamente. É um caminho, mas há vários. Precisa de ser discutido com os seus titulares
Certamente que assumir o controlo estratégico tem custos para o Estado, mas traz vantagens face à experiência que temos sobre a mesa.
Deveria haver consenso entre os partidos políticos nesse sentido.

VE - Em relação ao desenvolvimento em certas regiões, defende que deve haver iniciativa empresarial ou organismos públicos fortes, como as câmaras, a criarem emprego e serviços?
AL -
Julgo que essa questão não é contraditória. Defendemos que as regiões possam assumir o comando do seu próprio desenvolvimento, estou a falar da regionalização, que se devem desenvolver políticas em diversos níveis, fazer crescer o investimento nas autarquias, investimentos produtivos, valorizando a produção agrícola do interior, melhorar a utilização dos fundos comunitários.

VE - Portugal surge entre os países da Europa que menos apoios concedem às empresas…
AL -
Porque estamos numa União Europeia que não está a fomentar a convergência. Há balanços da própria UE que demonstram que grande parte dos fundos comunitários que nós temos são manifestamente insuficientes, mesmo ao nível do capital privado, para compensar as ajudas estatais que esses países concedem às suas economias.

VE- E muitos fundos são convertidos em despesas do Estado?
AL -
São despesas correntes, são despesas regionais que não são contabilizadas como ajudas de Estado… Temos uma PAC e vamos a continuar a ter, mesmo com a redução do pacote financeiro, em que um agricultor holandês recebe oito vezes mais do que um agricultor português.

IAPMEI deveria estar vocacionado para as PME

Agostinho Lopers  defende que, dentro do IAPMEI, deveria existir um departamento para atender e resolver os problemas específicos das PME.
A nível fiscal, tem a esperança e convicção que o PEC terminará no final de 2018.
Agostinho Lopes não se mostra surpreendido com as micro e pequenas empresas que não dão lucro. “Não dão porque se destinam a criar emprego para os fundadores e respetiva família, que procuram assegurar um nível de vida condigno com a sua existência humana”, afirma, defendendo, por isso, um enquadramento fiscal específico.
Agostinho Lopes  critica a objetividade extrema do sistema fiscal português, dando como o exemplo o caso de uma papelaria no Porto que por ter errado na declaração fiscal, inscrevendo 50 mil euros de ganho em vez de 500, não lhe foi permitido corrigir essa situação devido ao excesso de burocracia, acabando por falir.

 

Até ao dia 31 de julho, encontra-se a decorrer o prazo do 3º período de candidaturas aos Estágios Profissionais do IEFP.
Aos Estágios Profissionais podem candidatar-se pessoas singulares ou coletivas, do setor privado, com ou sem fins lucrativos e as candidaturas são aprovadas tendo em conta vários critérios, até ao limite da dotação orçamental.
Os estágios têm a duração de nove meses e dirigem-se a desempregados inscritos no IEFP, sobretudo jovens entre os 18 e os 30 anos de idade ou desempregados de longa duração (há mais de 12 meses no desemprego), entre outras situações.
Os estagiários têm direito a uma bolsa mensal, que varia em função do seu nível de qualificação.
REFLEXÕES SOBRE EMPRESAS FAMILIARES
A empresa familiar percebe a natureza da mudança disruptiva.
A continuidade da empresa familiar implica uma também contínua postura de recetividade e mudança.
Na atualidade, os fatores de competitividade de um negócio são múltiplos e cada vez mais surgem elementos disruptivos, imprevisíveis, que se impõem em períodos de tempo muito curtos e podem mesmo ser aniquiladores dos negócios que não se adaptem.
O estudo “Empresas familiares da próxima geração: Liderando um negócio familiar num ambiente disruptivo”, da Deloitte, mostra que a empresa familiar está muito atenta a este contexto: 84% dos inquiridos salientaram que as suas empresas familiares percebiam, em parte ou totalmente, os fatores que estão a impulsionar as mudanças disruptivas na envolvente em que estão presentes.
Um dos principais influenciadores desta mudança são os clientes e seus comportamentos; daí que é crucial manter uma contínua atenção às suas tendências, das quais destacaria uma: a sua conectividade à internet e a capacidade de “as coisas” comunicarem com ele.
 


A Pastelaria Suíça foi fundada em 1922 por Isidro Lopes e Raul de Moura.
A sua excecional localização e explanada foram sempre um polo de atratividade. Na altura da II Guerra Mundial era ponto de encontro de refugiados tal como nos dias de hoje é ponto de encontro do grande fluxo proporcionado pelo turismo.


 
Nos finais de junho surge a notícia de que a empresa, a 4 anos de se tornar centenária, vai fechar no final de agosto.
A atual gerência salienta que os novos turistas são muitos, mas que o nível de consumo não é suficiente para assegurar a sua viabilidade.
Mais de 50 empregados (chegaram a ser 200) vão perder o seu trabalho, a cidade de Lisboa perde um dos seus pontos de referência.
Quando indagados os motivos para este encerramento, sobressaíram os seguintes (fonte Observador, 28/06/2018):
  • falta de pessoas alguém com dinamismo para assumir o negócio” (o atual proprietário, Fausto Roxo, tem 91 anos);
  • pessoal que poderia continuar a dirigir a casa já está reformado”;
  • a clientela que suportava a casa foi desaparecendo”.
As duas primeiras razões refletem os típicos problemas de sucessão e o último motivo uma deficiente perceção das tendências do mercado. 

Temas para Reflexão:
  • Que mudanças estão a ocorrer no contexto em que nos inserimos?
  • Como está a evoluir o perfil dos nossos clientes?
  • Adaptamo-nos e continuamos ou desistimos e abandonamos o negócio?António Nogueira da Costa

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Colunista: 
António Nogueira da Costa

De acordo com a Direção Geral do Tesouro a taxa supletiva de juros moratórios relativamente a créditos de que sejam titulares empresas comerciais, singulares ou em vigor no 2.º semestre de 2018, é de 7%.