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Fraile estreia-se a vencer na 14.ª etapa do Tour, Geraint Thomas segue líder
O espanhol Omar Fraile (Astana) venceu hoje a 14.ª etapa da Volta a França em bicicleta, que ligou Saint-Paul-Trois-Châteaux a Mende, com o britânico Geraint Thomas (Sky) a manter-se na liderança.

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- Para quem acredita que os filmes nacionais destacam-se apenas no gênero das comédias ou das biografias de personagens conhecidos, o que essa leva mostra é um verdadeiro tratado de desmistificação -

Em tempos de crise, o cinema brasileiro apresenta suas armas com uma série de filmes, alguns ainda inéditos, que promovem uma verdadeira devassa na realidade brasileira. Para quem acredita que os filmes nacionais destacam-se apenas no gênero das comédias ou das biografias de personagens conhecidos, o que essa leva mostra é um verdadeiro tratado de desmistificação.

Todos aprofundam um olhar que ganhou grandes proporções a partir de ‘O Som ao Redor’, de Kleber Mendonça Filho, que parte do cotidiano de um bairro de classe média do Recife para debater os mais diversos temas, como o desrespeito individual, a hipocrisia na relação entre patrões e empregados e a decadência de alguns setores da burguesia nacional.

Nesse sentido, o ainda inédito ‘Que Horas Ela Volta?’, de Anna Muylaert, e ‘Casa Grande’, de Felipe Barbosa, ambos consagrados em festivais no Brasil e no exterior, seguem a mesma linha. O primeiro apresenta o impacto da chegada de uma jovem filha nordestina numa família de classe média alta paulistana. Obrigada a dividir o quarto com a mãe, empregada há décadas da casa, ela desmonta a subserviência materna e a arrogância disfarçada de bondade dos seus empregadores.

‘Casa Grande’, por sua vez, fala mais ao espírito dos cariocas, ao mostrar o impacto da queda da bolsa na vida de um operador do mercado financeiro que mora numa mansão na Barra. Tudo apresentado pelo ponto de vista do filho adolescente, estudante do São Bento, obrigado a sair da sua redoma de conforto social para conhecer outros extratos sociais.

Há mais exemplos, como o também inédito ‘Ausência’, de Chico Teixeira, em que um pré-adolescente da periferia paulista se vê responsável pelo futuro do irmão mais jovem e da mãe alcoólatra, e ‘De Menor’, de Caru Ribeiro, já lançado por aqui, em que uma defensora pública, também órfã, enfrenta em casa, com o irmão, problemas com os quais ela lida usualmente nos tribunais.

Agora, soma-se à leva ‘Insubordinados’, de Edu Felistoque, talvez o mais refinado do ponto de vista estético. Em preto e branco, explora a geometria dos espaços urbanos de São Paulo para espelhar a angústia de uma jovem que cuida do pai, um policial em estado terminal.

Para sublimar o drama, ela inventa um romance cujos elementos estão à sua volta. É mais ou menos o que o cinema brasileiro jovem tem feito. Buscar na criatividade um caminho para entender e superar a crise. Vem mais por aí.

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- Conjuntura econômica brasileira fez o grupo revisar o plano de abertura de lojas da marca para 2016 -

Há quase um ano, o grupo catarinense de moda Malwee anunciava a compra da marca carioca de moda feminina Mercatto, na época com cem lojas espalhadas em 18 estados brasileiros e faturamento estimado em R$ 150 milhões. Rafael Corona, diretor de Planejamento da WF Leblon — empresa criada pelo Grupo Malwee que comprou a Mercatto e faz a gestão da marca — explica que, nos primeiros meses de gestão pós-aquisição da nova marca, o foco foi o desenvolvimento de um plano de negócio de longo prazo, com o objetivo de tornar a Mercatto definitivamente uma marca nacional.

“Para atingir esta visão de futuro, estamos promovendo algumas adequações ao modelo de negócio atual da marca, como, por exemplo, a inclusão de produtos específicos para regiões frias do país a partir das coleções de outono e inverno do ano que vem, bem como a criação de regras para harmonizar o convívio entre os diversos canais de venda da marca”, diz Corona. “A aquisição da marca Mercatto, assim como as aquisições da Scene e Puket, faz parte da estratégia do Grupo Malwee de entrada em novos segmentos do mercado de varejo de moda. No caso da Mercatto, ela tem a alma carioca, com preços atrativos.”

Segundo ele, em função da atual conjuntura econômica brasileira, o grupo foi obrigado a revisar seus planos de expansão de lojas para este ano. “Com inflação alta, taxa de juros elevada e aumentos recorrentes da taxa de desemprego, que trouxe como consequência uma forte desaceleração do consumo, restringimos o plano de abertura de novas lojas franqueadas da rede em 2015 a oportunidades pontuais que minimizem os riscos para o franqueado. Para o ano de 2016 esperamos que haja uma retomada lenta e gradual do crescimento econômico e, por conta disso, estamos revisando o plano de abertura de lojas da Mercatto para o ano que vem”, diz.

Corona adianta, ainda, que as lojas da marca vão continuar vendendo apenas os produtos Mercatto, sem a inclusão de peças de outras empresas do Grupo Malwee. Além da rede de franquias, os produtos da Mercatto também chegam à consumidora através de lojas multimarcas e de uma loja virtual que foi reinaugurada recentemente e em breve ganhará também uma versão mobile.

SOLUÇÕES & OPORTUNIDADES

■ A Quiksilver — detentora das marcas Quiksilver, Roxy e DC Shoes — inicia projeto de expansão em franquias no Brasil. A empresa, que conta com quatro unidades próprias, localizadas em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, vai usar os espaços recém-inaugurados no Shopping Iguatemi (SP) e em Ipanema (RJ) como modelos para o projeto de expansão que vai implementar nas principais cidades brasileiras. Serão lojas de 40 metros quadrados a 100 metros quadrados.

■ Duas das maiores premiações do empreendedorismo brasileiro encerram o período de inscrições neste mês: o Prêmio MPE Brasil e o Mulher Sebrae de Negócios. Ambas contam com o apoio técnico da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ) e têm inscrições abertas até 31 de julho. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo endereço www.premiompe.sebrae.com.br.

Os planos da Clube Caramelo para 2016

Comemorando seu primeiro ano no franchising, a Clube Caramelo anuncia seus planos de expansão. A rede pretende inaugurar até o segundo semestre de 2016, dez novas unidades no Brasil. O modelo de franquia de biscoitos e guloseimas tem duas unidades no Rio de janeiro e será oferecido para todo o país. O investimento mínimo para a abertura de uma unidade é de R$ 30 mil para um quiosque.

Liga Retrô embarca em aeroportos

Depois de inaugurar uma franquia no aeroporto de Congonhas (SP), a Liga Retrô intensifica os planos de expansão dentro destes empreendimentos. A marca especializada em réplicas de camisas antigas de futebol acaba de abrir sua segunda unidade dentro de um aeroporto, desta vez em Belém (PA). A expectativa é abrir mais dois quiosques em aeroportos brasileiros.

Novo modelo de franquia na Valisére

A partir de julho, os interessados em abrir uma franquia Valisére vão ter à disposição um novo modelo de negócios, o Valisére Light. O projeto visa a garantir a distribuição das quatro marcas (Valisére, Triumph, Valfrance e Sloggi) em um canal especializado. O novo modelo vem para complementar o atual, de franquia tradicional, que é aplicado nos principais shoppings nacionais.

A coluna se despede agradecendo a todos pela parceria que nos ajudou a mostrar o desenvolvimento do franchising brasileiro e a força empreendedora das pequenas e médias empresas do país. Até breve.

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- Pressão por redução de custos nas empresas brasileiras fez aumentar o uso comum e a divisão de serviços administrativos de aviões e helicópteros no primeiro semestre -

Rio- Em tempos de desaceleração econômica, cresce a demanda por serviços de compartilhamento e gerenciamento de aeronaves no segmento de aviação executiva. No primeiro semestre do ano, essas duas linhas de negócios se expandiram, enquanto o fretamento de aviões e helicópteros recuou. O movimento — segundo as empresas do setor — está diretamente relacionado à necessidade da clientela corporativa de enxugar custos, num cenário de contração da economia brasileira.

A paulista Avantto acaba de inaugurar um nova base operacional com 600 metros quadrados — praticamente o dobro da metragem da antiga — na qual investiu R$ 1 milhão. “Cada vez mais temos recebido aeronaves de proprietários exclusivos que desejam compartilhá-las”, conta Rogério Andrade, CEO da Avantto. O aumento do número de proprietários interessados em se desfazer de suas aeronaves para adquirir cotas em aviões e helicópteros compartilhados levou a Avantto a lançar este ano uma área exclusivamente para intermediar as transações de compra e venda.

Uma das razões principais para a mudança é econômica. “Na maioria das vezes, o jato executivo é um ativo de milhões de dólares pouco utilizado e com um custo fixo mensal alto”, argumenta o presidente da Avantto. A média mundial de utilização — diz Andrade — é de cem horas por ano para helicópteros e de 150 para aviões. Criada em 2011, a Avantto trabalha com uma frota de 60 aeronaves — 27 helicópteros e 33 aviões (entre jatos e turboélices). Embora não informe a receita da empresa, Andrade afirma que, a despeito da crise econômica, o faturamento cresceu 15% no primeiro semestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2014. Já o resultado operacional aumentou 47% na comparação anual. No caso da Avantto, 60% das receitas vêm do negócio de compartilhamento e os 40% restantes, da administração de aeronaves.

“Há uma busca por eficiência, austeridade e redução de custos entre as empresas clientes”, constata Heron Nobre, diretor de Fretamento e Gerenciamento da Líder Aviação. Há 56 anos no mercado, a companhia atua em cinco áreas de negócios, mas — em tempos de crise — o compartilhamento e o gerenciamento de aeronaves têm puxado a demanda. “O fretamento está mais retraído”, reconhece o executivo, que estima em até 15% o aumento da procura por opções de fretamento e administração no semestre.

Nos moldes do compartilhamento praticado nos Estados Unidos e no México, a Líder oferece ao cliente não só a possibilidade de comprar parte de uma aeronave mas o direito de utilização. “Não existe no Brasil uma regulamentação clara para compartilhamento de aeronaves”, explica Nobre. No modelo adotado pela empresa, cada aeronave é dividida em quatro cotas — uma da Líder e outras três para clientes, que têm direito a 150 horas por ano, durante um período de cinco anos. Ao fim de cinco anos, os cotistas recebem um valor menor do que investiram, incluída aí a depreciação do aparelho.

No gerenciamento, o proprietário da aeronave fecha contrato com a empresa, que passa a ser responsável pela operação. A aeronave continua a ser do proprietário mas pode ser usada para fretamento a terceiros. Nesse caso, o proprietário recebe remuneração. A Líder trabalha atualmente com uma frota de aproximadamente 40 aparelhos, entre aeronaves próprias, gerenciadas e compartilhadas. “No Brasil, há 200 cidades servidas pela aviação comercial no país. Ainda há muito espaço para a aviação executiva”, diz o diretor de Fretamento e Gerenciamento da Líder Aviação.

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- Considerado o maior da história da fabricante, volume corresponde a entregas de 27 jatos para o mercado de aviação comercial e 33 para o setor executivo em diferentes países -

A carteira de pedidos firmes de aeronaves a entregar (backlog) da Embraer no segundo trimestre deste ano chegou ao patamar de US$ 22,9 bilhões, número considerado pela fabricante brasileira de aviões o maior da sua história. No final do trimestre anterior, em 31 de março de 2015, a carteira de pedidos firmes totalizava US$ 20,4 bilhões. No período de janeiro a maio, a Embraer entregou 27 jatos para o mercado de aviação comercial e outros 33 para o de aviação executiva, totalizando 60 aeronaves, ante 58 entregues no mesmo período no ano passado. 

O principal destaque do trimestre foram os US$ 2,6 bilhões em pedidos firmes anunciados durante o Paris International Air Show. O valor inclui sete aeronaves modelo E190 para a chinesa Colorful Guizhou Airlines; oito E175 para a americana SkyWest Airlines, que serão operadas pela Alaska Airlines; dez E175 para a United Express; além de 15 E190-E2 e dez E195-E2 para a empresa de leasing americana Aircastle, sem considerar as opções e direito de compra previstos nos contratos.

Em maio, a Embraer já havia anunciado pedidos da Tianjin Airlines para 22 aeronaves (20 E195 e dois E190-E2), o que tornou a companhia a primeira aérea chinesa a adquirir os E-Jets E2. No mesmo período, outro contrato havia sido anunciado com a Azul Linhas Aéreas para a venda firme de 30 jatos E195-E2.

Na avaliação do analista Felipe Martins, da Coinvalores, no caso da aviação comercial, principal segmento da Embraer, a recuperação econômica americana e a elevada competitividade da segunda geração de E-Jets (E2-Jets) torna o cenário de vendas favorável. A expectativa, segundo o especialista, é que o segmento encerre o ano de 2015 com cerca de 100 entregas, em linha com o que havia sido reportado nos últimos anos. “Um dos principais catalisadores de vendas se baseia no custo operacional das aeronaves; com uma redução de 5% no consumo de combustível frente à geração anterior, e ainda mais econômico frente a seus principais concorrentes”, informa o relatório de Martins pela Coinvalores. Para ele, com o enfraquecimento da demanda por aeronaves executivas na China , o foco da Embraer deverá se voltar cada vez mais para a sua unidade de produção nos Estados Unidos. Na China, a Embraer tem uma planta em Harbin, desenvolvida por meio de uma parceria com o governo chinês.

Ainda segundo o analista, diante do conturbado cenário fiscal do Governo Federal, o segmento de Defesa e Segurança (D&S), vem sendo prejudicado pelo atraso nos repasses governamentais em diversos projetos em andamento, como o Sisfron (vigilância de fronteiras), o KC-390, o novo cargueiro militar da empresa e a construção de um satélite brasileiro a ser lançado no final de 2016. “Em caso de um agravamento desse cenário, a empresa pode vir a desacelerar consideravelmente tais projetos ou mesmo cancelá- los. Ainda assim consideramos baixa essa probabilidade, em vista do estágio avançado dos projetos”, diz Martins. 

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- Com 100 milhões de membros em pouco mais de 18 meses, Flipagram atrai atenção de investidores. E dos brasileiros -

“Esqueça a inteligência”, recomenda Farhad Mohit, fundador e presidente do Flipagram, rede social que em pouco mais de um ano e meio superou a marca de cem milhões de usuários em 85 países. “A persistência é a característica mais importante para um empreendedor de sucesso, a capacidade de passar por cima de fracasso após fracasso”. Longe de flertar com a auto ajuda, a recomendação desse empreendedor nascido no Irã, em 1969, se baseia na própria experiência. Depois de fundar duas startups de sucesso em 1996 (BizRate.com) e 2003 (Shopzilla), Mohit amargou três fracassos sucessivos até criar o Flipagram — aplicativo que permite criar e compartilhar histórias em vídeo via celular.

“As pessoas dizem que foi um sucesso da noite para o dia”, conta Mohit, referindo-se à empresa, que anunciou ontem um aporte de US$ 70 milhões feito por três fundos de investimento. “Na verdade foi um sucesso da noite para o dia que levou sete anos para acontecer”, brinca o empreendedor. Comparado com os mais de 1,4 bilhão de usuários do Facebook, o Flipagram ainda tem muito terreno a percorrer, mas os números iniciais mostram um crescimento explosivo similar ao de outros “fenômenos” anteriores da web. Lançado no fim de 2013, o aplicativo — que combina fotos, vídeos e música em filmes curtos — fechou o ano passado com 33 milhões de usuários. Em comparação, a rede social de Mark Zuckerberg conquistou um milhão de internautas nos seus primeiros 12 meses de vida, enquanto o Twitter e o Instagram arregimentaram, respectivamente, um milhão e dez milhões.

Se depender da popularidade do Flipagram no país, a fama dos brasileiros de entusiastas por redes sociais é mais que justificada. De acordo com Mohit, o Brasil é o segundo país com mais usuários do aplicativo. Perde apenas para os Estados Unidos, que concentra 40% do público do Flipagram. Depois do Brasil, integram a lista Reino Unido, Japão e México, apenas para citar os quatro principais mercados internacionais da empresa. Apesar dos resultados promissores, as ambições da empresa são muito maiores: “Queremos alcançar 5,2 bilhões de usuários de telefones celulares ao redor do mundo”, resume o CEO do Flipagram.

Dentro dessa estratégia, a principal arma para tentar manter o ritmo frenético de expansão é a música. Universal Music Group, Sony Music Entertainment e Warner Music, entre outras gravadoras, fecharam acordos com licenças globais com o Flipagram. Isso permite aos usuários do aplicativo acessar milhões de vídeos musicais, que podem ser usados na montagem de seus filmetes. A intenção, naturalmente, é atrair potenciais compradores de música digital, por meio de links diretos para a aquisição das canções (ou álbuns). “Qual o valor que os fãs de um artista geram no Facebook, no Instagram ou no Twitter”, questiona Mohit.

Em média, 14 milhões de novos vídeos foram criados via Flipagram a cada mês, entre janeiro e março deste ano. O total representa 8% da média do YouTube, que é de 170 milhões de vídeos carregados por mês. Embora ambas as plataformas estejam baseadas na postagem de vídeos, o Flipagram se distancia cada vez mais do formato inicial de ferramenta digital para assumir características típicas das redes sociais. “Quando comecei a empresa, sabia exatamente o que não fazer”, diverte-se Mohit, que vinha de fracassos nas startups Cheers (2012), Gripe (2010) e DotSpots (2007).

Não seria nada demais se, anos antes, o empreendedor não tivesse vendido as ferramentas de busca BizRate.com e Shopzilla por US$ 565 milhões. “Depois disso, eu achava que tudo ia ser fácil”, lembra Mohit, rindo.

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- O país está vivendo a maturidade das relações de consumo. É hora de avançar. E nós, consumidores e cidadãos, vamos em frente, consumindo com mais critério, exigindo mais -

Há dois anos comecei a escrever esta coluna, e quero começar esta última oportunidade de falar com meus leitores agradecendo por ter podido, nesse tempo, acompanhar e refletir sobre as dores que passamos como consumidores e os avanços, que, mesmo com muita dificuldade, conquistamos. Nestes dois anos, saímos de uma época de bonança, de consumo fácil, passamos por um tempo de espera pelas eleições, para saber qual o rumo o país iria tomar, e estamos agora num período de recessão e de incertezas sobre a retomada econômica. A crise, que vem fechando empresas e diminuindo bastante o ritmo de outras, é a oportunidade para se rever e acabar com processos viciosos e inúteis, para se pensar criativamente e privilegiar a eficiência, a qualidade, sair do modelo de metas numéricas, buscar transparência e honestidade nas relações. É isto que o consumidor, e o cidadão brasileiro, quer.

Para tentar fazer um balanço destes dois anos de coluna, dei uma passeada nos temas sobre os quais escrevi e reparei que o fio condutor que perpassa todos os temas é a questão da falta de clareza em tudo: nas ofertas, na entrega dos serviços, nas relações com o cliente. Quase uma sequência de causas e efeitos. Começa pelas pegadinhas nas ofertas, que levam o consumidor a comprar errado; para comprar, o consumidor tem que disponibilizar seus dados e não sabe como a empresa vai usá-los; como a oferta é enganosa, e o serviço ou o produto não corresponde ao que se comprou, aparecem as cobranças indevidas; o atendimento ao cliente mais enrola do que soluciona. Irritado, o consumidor busca solução nos procons e na internet; se, na confusão, ficar inadimplente, vai sentir o gosto amargo dos juros e às vezes é tão difícil resolver que é necessário buscar a Justiça, que, de tão lenta, vem ficando cada vez mais injusta.

Escrevi sobre todos esses temas dessa corrente maligna. Mas também sobre outros, como a crise da energia elétrica e as bandas tarifárias, a falência dos planos de saúde e a falta de confiança no sistema de saúde suplementar, os problemas eternos da área de telecomunicações, a difícil e ineficiente fiscalização das agências reguladoras, a oferta irresponsável de crédito e o superendividamento. Também mandei recados para os novos governantes, sobre o que queríamos, cidadãos e consumidores, como prioridades nas políticas públicas.

Mas, confesso, gostei imensamente de tocar em três temas. O primeiro foi sobre a minha paixão particular, o campismo, e mais especificamente, sobre minhas andanças de motor home pelo país. Compartilhei os problemas nas estradas e a cobrança dos pedágios, um dos mais caros do mundo, a comparação da qualidade dos serviços em outras regiões do país, como o Sul e o Centro Oeste, e avisei ao governo estadual que nossos hermanos viriam de motor home para a Copa, mas ninguém deu bola, e deu no que deu, um vergonhoso improviso.

O segundo tema foi ter compartilhado a minha viagem ao Japão. Falar do atendimento do japonês, da cordialidade, da determinação em ajudar, mas, principalmente, da eficácia do treinamento. Não é por acaso que eles são tão bons. Eles treinam, estudam, estão comprometidos com a eficiência, que é um valor de vida, não uma circunstância do trabalho. Estão focados no bem da outra pessoa. Um povo que conversa baixo para não incomodar o vizinho, que carrega seu lixo até achar uma lixeira. Amei o Japão.

O terceiro e mais importante tema foi o cidadão como consumidor de políticas públicas. Quando incorporarmos a ideia de que o que é público é de todos nós, que são os nossos impostos que pagam os serviços de educação, saúde e segurança pública, vamos aprender a cobrar, e vamos usar mais. E se o serviço público for bom, o teremos como opção ao privado, e aí, tenho certeza de que as empresas vão se esmerar mais em atender melhor.

Revendo as colunas e pensando quais os avanços que poderia destacar, ri sozinha ao ver uma das minhas primeiras colunas na qual eu perguntava por que os fabricantes de cafeteiras não combinavam com os fabricantes de filtro de café o tamanho certo do filtro e, hoje, folgo em dizer, já vejo algumas embalagens de filtros de café que trazem a lista das cafeteiras ideais para o filtro. Sim, tivemos outros avanços. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, colocou no ar o site consumidor.gov.br, um novo canal de solução online com as empresas. Este ano o Código de Defesa do Consumidor faz 25 anos e a Senacon vai sediar o encontro mundial da Consumers International. Estamos na luta.

Mas, nesta altura da crise, minha opinião é que precisamos nos levantar só. Não dá para contar com ninguém. Estamos reféns de um péssimo Congresso, recheado de políticos que estão preocupados apenas em manter ou melhorar os benefícios da classe e arrumar cargos. Praticamente todas as grandes empresas do Brasil estão citadas em alguma operação, envolvidas com alguma falsa doação às campanhas eleitorais. A crise moral é tão grande ou maior do que a crise econômica no Brasil.

O consumidor, neste momento, está retraído, espremido entre o medo do desemprego e a luta para fazer o dinheiro cobrir as despesas, que aumentam assustadoramente. Estes dois anos foram de aprendizado de novos tempos, de reclamar nas ruas, de dar mais atenção à economia, de apertar o cinto, mas também é de novos tempos na reflexão sobre a economia da água e da energia, da forma como consumimos, do que fazemos com o nosso lixo, do que queremos melhorar. O país está vivendo a maturidade das relações de consumo. É hora de avançar. E nós, consumidores e cidadãos, vamos em frente, consumindo com mais critério, exigindo mais, cobrando mais. Gostaríamos muito que as empresas compartilhassem este avanço conosco, privilegiando a clareza, a boa fé e a eficiência. Obrigada pela leitura e até a próxima oportunidade de estarmos juntos.

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- Iniciativa de combate à corrupção chega ao Brasil através da Aliança pela Integridade -

Rio - Ainda este mês, pequenas e médias empresas brasileiras poderão ter acesso às melhores práticas de compliance — conformidade com uma política ou regulamentação — praticadas no mercado internacional. As informações estarão disponíveis a partir de cursos ministrados no Rio e em São Paulo pela Alliance for Integrity (Aliança pela Integridade, ou AfIn, na sigla em inglês), iniciativa que reúne multinacionais, sociedade civil e instituições internacionais.

Criada há três anos, a Aliança é encabeçada pela Cooperação Alemã para o Desenvolvimento (GIZ, na sigla em alemão), agência governamental estruturada como companhia privada mas sem fins lucrativos. A prioridade é o combate à corrupção, por meio da promoção de relações íntegras entre empresas, seus parceiros comerciais e outras partes relevantes do sistema econômico. Nesse primeiro momento, Brasil, Gana e Índia são os principais focos de atuação da Alliance for Integrity. Um projeto-piloto foi realizado em 2014 na Índia.

No país, a AfIn ganhou a adesão da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, além do apoio de multinacionais. A primeira aula do treinamento que irá capacitar os instrutores responsáveis por ministrar o curso ao público-alvo (empreendedores e profissionais de pequenas e médias empresas) está marcada para 29 de julho. Gratuita, a primeira edição do curso está prevista para 30 de julho.

“Quando uma empresa fala, há mais chance de as outras prestarem atenção. É uma questão de credibilidade”, sustenta Noor Naqschbandi, responsável pela área de Cooperação com o Setor Privado na GIZ. Naqschbandi esteve recentemente no Brasil para participar de um seminário organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.